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Início » Programa de preservação de onças na Bahia enaltece riqueza da Caatinga
Sento Sé

Programa de preservação de onças na Bahia enaltece riqueza da Caatinga

RedaçãoPor Redação1 de abril de 20254 Minutos de Leitura
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A Caatinga, importante bioma para a fauna e flora, enfrenta desafios de diferentes ordens. Há uma crise hídrica e problemas sociais que atrapalham o avanço de municípios localizados nesta região. Contudo, o Programa Amigos da Onça, feito em parceria entre a ENGIE Brasil Energia e o Instituto Pró-Carnívoros, atua para que haja uma preservação deste importante bioma, além disso preza para que espécies de onças típicas possam se perpetuar.

As onças que habitam a região são protegidas por esse programa a fim que a reprodução da espécie seja garantida, mas também o habitat de outros animais também seja resguardado. Conversamos com a bióloga Carolina Franco Esteves, pesquisadora associada ao Instituto Pró-Carnívoros e cofundadora do Programa Amigos da Onça, que esclareceu que um dos principais desafios é a garantia de água para esses animais.

“Trabalhar com conservação de fauna é sempre um desafio, pois envolve relações complexas entre pessoas e a fauna e flora que compartilham o mesmo território. As ações de proteção das onças na Caatinga, realizadas pelo Instituto Pró-Carnívoros por meio do Programa Amigos da Onça (PAO), enfrentam desafios ainda maiores diante das crises hídricas e das mudanças climáticas, que têm transformado regiões semiáridas em áreas áridas”, esclareceu a pesquisadora.

“Um dos principais desafios é garantir a disponibilidade de água para as onças e suas presas naturais, como veados, tatus e mocós. A degradação ambiental e a falta de recuperação de áreas afetadas por ações humanas reduzem a capacidade do bioma de reter água, impactando diretamente a sobrevivência desses animais”, acrescentou.

Ao todo, estima-se que a população desses animais na região norte da Bahia seja de 120 onças-pardas e 30 onças-pintadas na Caatinga, sendo que esta última está presente apenas na Bahia e no Piauí dentre os estados que compõem a Caatinga, o que reforça a importância dessa iniciativa. Com 12 anos de atuação, o Programa é focado não só na pesquisa e conservação desses animais, mas na promoção da convivência harmônica com as comunidades que vivem na região.

Esteves pontuou ainda que há estudos que visam a preservação da espécie que, na visão dela, são guardiãs da Caatinga. A pesquisadora revelou que as onças que vivem na região apresentam menor tamanho corporal em comparação com as onças de outros biomas (peso médio de 40-60 kg para a onça-pintada e 30-50 kg para a onça-parda), pelos das patas mais grossos (para suportar o solo quente e espinhoso) e as vibrissas (que são os bigodes) mais rígidas, que funcionam como sensores para ajudá-las a perceber melhor o ambiente. A bióloga salientou que a caça ainda é uma ameaça, por isso há necessidade de políticas públicas eficazes.

A região do Boqueirão da Onça, no norte da Bahia, de acordo com a pesquisadora, guarda um patrimônio natural, paleontológico, social e antropológico riquíssimo. “A região abriga cavernas de grande relevância, como a Toca da Boa Vista, a maior caverna da América Latina, e um vasto acervo de arte rupestre, que contam a história das populações antigas que habitaram a região”, explicou.

“Apesar de todas essas potencialidades, a Caatinga ainda é um dos biomas menos estudados e menos protegidos do Brasil. Investir no Boqueirão da Onça significa não apenas proteger um dos últimos refúgios da biodiversidade da Caatinga, mas também explorar oportunidades econômicas mais sustentáveis, como o ecoturismo, o turismo científico, a observação de aves (birdwatching), o manejo/beneficiamento de produtos da sociobiodiversidade e o fortalecimento das culturas locais”, destacou.

No campo da saúde pública, a pesquisadora frisou ser a Caatinga um bioma rico em espécies de importância biomédica, como serpentes, insetos e aracnídeos cujas toxinas podem ter propriedades medicinais. Algumas espécies de escorpiões, por exemplo, produzem toxinas que estão sendo estudadas para o tratamento de câncer e doenças neurodegenerativas.

A respeito da atuação ENGIE Brasil na preservação do bioma, a gerente de Meio Ambiente, Karen Schröder, disse que há uma série de práticas sociais, ambientais e de governança para garantir que nossa atuação tenha impactos positivos na sociedade e no meio ambiente. “Vimos no Instituto Pró-Carnívoros uma similaridade de valores, especialmente na atuação transparente que eles têm com a comunidade, princípio que também cultivamos. Estamos empolgados para acompanhar os desdobramentos dessa iniciativa, na qual vamos impactar positivamente a região em duas frentes, a educação e a preservação ambiental”, afirmou Shröder.

Sobre o Programa Amigos da Onça

Programa do Instituto Pró-Carnívoros voltado à conservação das onças e da sociobiodiversidade caatingueira, promovendo a convivência mais harmônica entre as comunidades que vivem na região e a fauna, dividido em dois eixos: Biologia e ecologia das onças e suas presas naturais e Dimensões humanas da conservação da fauna.

O acordo firmado prevê ações como o reconhecimento prévio da área com a equipe de campo, monitoramento dos animais e o trabalho junto às comunidades para promover a coexistência entre pessoas e onças, oferecendo educação para a conservação das espécies.

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